A expressão já diz: pai cria filho é para o mundo. E aí, quando chega a hora das “crianças maiores de idade” deixarem o lar, como fica a situação em casa? Esse momento batizado de Síndrome do Ninho Vazio exige mudanças não somente para quem vai, mas também na vida dos pais, que ficam. O sentimento de tristeza e desânimo que os acomete quando os filhos se tornam independentes e saem de casa pode ser revertido, inclusive, com mudanças no imóvel. Isso porque, a moradia antes projetada para uma família inteira agora se mostra grande demais para o casal.

Como a maioria das pessoas alia suas escolhas imobiliárias ao momento de vida pelo qual estão passando, é natural que o tamanho, a localização ou o tipo do imóvel da família também passe pelas mesmas situações, como explica a vice-presidente das Administradoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Flávia Vieira. “A saída dos filhos de casa, assim como qualquer outra fase da vida das pessoas, como a chegada do filho, a separação ou a mudança de cidade, exige adaptações no imóvel. No caso de quando os filhos deixam o lar, especificamente, a casa fica grande e com os pais já em idade mais avançada, ou na terceira idade, muitos optam pela mudança de imóvel”, afirma.

A vice-presidente explica que essa “adaptação” pode ocorrer tanto por questões econômicas, para redução de gastos, quanto pela busca de maior comodidade e facilidade no dia a dia. Essas mudanças podem incluir a venda do imóvel de maior espaço para compra de um menor, em localização mais privilegiada em relação a serviços, como atendimento de saúde, restaurantes, centros comerciais de modo geral, atividades de lazer, entre outros, uma vez eu os hábitos dos pais também tendem a mudar.

Como essa “separação” costuma ser sofrida para os pais, eles precisam começar a se preparar para buscar outras vivências além das que tinham com os filhos. Isso inclui sair com amigos, praticar atividades físicas, estudar, viajar, investir na vida social, entre outras iniciativas. Por isso, a opção por morar próximo a locais que propiciem essas atividades, acaba interferindo na localização e, consequentemente, na troca da moradia.

Outro viés importante é o fator segurança. Com o aumento contínuo da violência urbana, o casal que fica sozinho em casa, sem os filhos, muitas vezes prefere ter à disposição toda a estrutura de segurança que os condomínios oferecem, o que também pode levar à troca do imóvel. No fator economia, a regra também vale: residências de muitos quartos, áreas de lazer e com altas metragens são sinônimo de muitos gastos com manutenção, funcionários, entre outros. Tal fator também pesa na decisão de se mudar para outro padrão de imóvel, no momento em que os filhos já não estão mais em casa.

O OUTRO LADO

Já do ponto de vista dos filhos que alcançaram a independência ou se casam e estão cruzando as fronteiras do lar, a visão pode ser outra. Como explica Flávia Vieira. “De modo geral, essa nova geração não tem o sonho da casa própria, como as gerações passadas tinham quando saíam de casa”, diz.
Isso ocorre, segundo ela, porque existe nessa faixa etária, atualmente, uma grande busca por empreendimentos com atrativos, como espaços de lazer, área gourmet e outras vantagens, como boa localização, mas não para compra e sim para o aluguel. Essa tendência no mercado imobiliário encontra explicação, segundo Flávia, no fato de os jovens serem consumidores que querem, cada vez mais, viver a experiência, aproveitar a vida e não se prender a um imóvel em uma localidade fixa.