Fuja da falta de organização pessoal e financeira e torne-se um poupador. Essa é a primeira regra para quem deseja ter um lugar na vida para chamar de “seu”. Economias cotidianas, aliadas a um planejamento de médio e longo prazo são fundamentais tanto para quem deseja comprar o primeiro apartamento ou para aqueles que pretendem dar um up grade na moradia.

Mas, como economizar no dia a dia para alcançar esse objetivo? E quanto é preciso para comprar um imóvel? Como é possível pagá-lo? Esses são alguns dos dilemas que aparecem na hora de comprar o imóvel. Por isso, tão fundamental como se programar, é também buscar ajuda de um profissional especializado, que poderá auxiliar sobre o passo a passo rumo à compra bem-sucedida.

O Vice-presidente das Corretoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi), Leirson Cunha, explica que três pontos principais devem ser observados no planejamento da compra: o desejo do cliente; as possibilidades financeiras e as questões legais.

“No que tange ao desejo, o cliente deve estar atento a questões como, o tipo do imóvel e o momento de vida pelo qual se passa, como a mudança de casa em razão do casamento, ou por mudança de cidade, por ampliação da família, ou pela saída da casa dos pais, entre outras razões”, afirma Leirson.

O especialista alerta ainda para a necessidade de avaliação de um conceito importante: o da morabilidade. “O termo está muito em alta no mercado imobiliário e tem a ver com questões não só do imóvel, mas também do entorno. Ele é a somatória de vários fatores, como planejamento urbano, habitação, mobilidade, acesso à segurança, saúde, educação e tecnologia, entre outros, que determinam a qualidade de vida dos cidadãos”, explica o vice-presidente, lembrando que a localização deve ser levada em conta nas atividades do dia a dia, como trabalho ou estudo.

DE OLHO NO SEU DINHEIRO

Na avaliação das possibilidades financeiras, o primeiro passo é saber como anda sua atual situação financeira. Para isso, comece a anotar em um caderno, em planilhas ou em aplicativos todas as suas receitas e despesas. Ou seja, identifique de onde vem o dinheiro e como ele está sendo gasto. Anote tudo! Dessa forma você vai conseguir ver como tem fechado o mês – no positivo ou no vermelho.

Também é importante poupar, seja para ter dinheiro na hora de dar uma entrada ou para quitar prestações de financiamento. E para poupar, é necessário já fazer essa previsão do percentual antes mesmo do pagamento das contas.

Ainda de olho no bolso, vale a pena prestar atenção para o tipo de compra que será feita. Se a aquisição for de longo prazo, pode ser mais vantajoso comprar na planta, tendo em vista que as condições de negociação do valor da entrada podem ser feitas diretamente com a construtora e o financiamento com a instituição bancária fica para o restante do pagamento. Outra vantagem é a garantia do imóvel, de pelo menos 5 anos, o que evita gastos com manutenção, caso elas sejam necessárias e sejam cobertas pela construtora.

Outras possibilidades são a permuta e o consórcio, como explica Leirson. “A permuta pode ser boa opção, caso o comprador já tenha um imóvel e esteja optando pela troca. Já o consórcio pode ser uma maneira vantajosa de poupar dinheiro, frente aos financiamentos bancários, que têm jutos mais altos”, afirma. Ele alerta, no entanto, para dois pontos: “É preciso pesquisar antes se a construtora aceita a permuta, tendo em vista que o que ela quer é dar liquidez ao seu negócio. Já no caso do consórcio, o comprador não pode ter pressa, se não tiver recursos para dar um lance, e também não pode ter restrições no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), porque caso esteja com o ‘nome sujo’ e for contemplado, não pode resgatar a carta de crédito”, ressalta Leirson.

Sobre o valor da entrada, este vai depender do tipo do imóvel. Nas faixas de renda do programa Minha Casa, Minha Vida, que atendem ao mercado popular, o percentual gira em torno de 20% a 30% do valor do imóvel. Na hora do financiamento, é preciso também prever 30% do valor da renda mensal e isso precisa ser bem equacionado para não comprometer o pagamento das prestações. “Vale muito a pena fazer consultas junto a um agente imobiliário, que pode indicar a documentação necessária, bem como indicar o passo a passo e informar sobre descontos junto a cartórios, no caso das declarações oficiais”, diz o vice-presidente.

DENTRO DA LEI

Já em relação às questões legais, ou seja, a parte burocrática da compra, aí sim é preciso ter muita atenção. “É preciso conferir toda a documentação do imóvel e também do comprador. Exigir certidões negativas de débitos e verificar se o imóvel está disponível para ser transferido para o próximo comprador”, diz o especialista. Ele faz o alerta porque o imóvel pode estar incluído em um processo de inventário, ou em processos de questões trabalhistas, entre outros”, afirma, lembrando que estas situações podem travar a transmissão do bem.

A condição de condomínio também deve ser observada. É preciso checar a adimplência do imóvel para não ser surpreendido com um débito futuro. E, por fim, ficar bem distante de ofertas mirabolantes. “Preços muito fora dos praticados no mercado podem esconder problemas na negociação, nem como nas condições legais ou estruturais do imóvel”, destaca. Leirson ainda alerta que, “para fugir de todas essas armadilhas e para conseguir fazer do caminho para o sonho da casa próprio uma trajetória tranquila, a busca pela informação e por ajuda especializada. “Existem entidades especialistas nesse tipo de consultoria, capazes de fornecer informações e profissionais que vão assessorar no processo aquisitivo e garantir uma aquisição tranquila”, conclui o vice-presidente.